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Crítica | Baleia Assassina (2026)

Atirou em Águas Rasas, mas acertou numa bizarrice qualquer do Asylum. O post Crítica | Baleia Assassina (2026) apareceu primeiro em Plano Crítico.

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24 de setembro de 2026 às 11:11
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Crítica | Baleia Assassina (2026)

Perigo no mar: uma baleia vingativa e vítimas em busca da sobrevivência. Esse é o mote de Baleia Assassina. Vamos ao enredo: duas melhores amigas chamadas Maddie, interpretada por Virginia Gardner, e Trish, vivida por Melanie Jarnson, acabam ficando presas numa ilha remota com uma baleia perigosa rondando a lagoa com a clara intenção de matá-las. Toda essa situação desesperadora começa logo após uma grande tragédia pessoal na vida da protagonista.

Tentando confortar a amiga Maddie e ajudá-la a superar esse momento difícil, Trish organiza uma viagem espetacular para as duas em uma lagoa paradisíaca localizada do outro lado do mundo, esperando que o cenário idílico permita momentos de paz. Acho que já contemplamos isso antes, não? O retiro tranquilo da dupla logo se transforma num pesadelo terrível quando as duas se veem isoladas e precisam lutar para sobreviver a um predador sanguinário dos mares. O animal gigante busca vingança por uma vida inteira de abusos e sofrimentos brutais enfrentados durante seu tempo em cativeiro.

A estrutura dramática do roteiro e o estabelecimento do espaço cênico claramente emulam elementos do consagrado filme Águas Rasas, tentando criar aquela mesma atmosfera sufocante de isolamento e perigo iminente. Mas, afirmo veementemente: não rola. Apesar das intenções, a produção passa longe de alcançar a mesma qualidade do filme que usa como inspiração. As atuações do elenco principal se mostram fracas, os efeitos visuais carecem de realismo e a direção de fotografia, sem profundidade, assinada por Shing-Fung Cheung, falha gravemente em criar a imersão necessária.

Além disso, a edição do filme se mostra bastante confusa em vários momentos, e até a trilha sonora composta por Angela Little apenas lembra trechos e imita a textura percussiva de Águas Rasas, mas sem originalidade. Ela esquece de criar seu próprio caminho e, ainda pior, deixa de lado o mais importante: o estabelecimento da tensão. Ademais, os efeitos visuais que dão vida à baleia são bizarros de tão computadorizados, prejudicando totalmente a suspensão de descrença do espectador. A produção pecou gravemente pela falta de adoção de animatrônicos, um recurso clássico que certamente poderia trazer um resultado muito melhor e mais tátil para as cenas de ataque.

Produzido em uma parceria entre os Estados Unidos e a Austrália, Baleia Assassina conta com a direção de Jo-Anne Brechin, que também divide o desenvolvimento do roteiro com a escritora Katharine McPhee. A cada avanço dos 89 minutos de projeção, a narrativa vai se desgastando e o filme vai ficando mais constrangedor para quem assiste. Virginia Gardner faz o que pode no papel de Maddie, uma jovem e aspirante a violoncelista que se recupera de uma tragédia pessoal profunda. Enquanto isso, Mel Jarnson, como a melhor amiga de Maddie, atua como cientista e tenta usar seu conhecimento para guiar as duas em segurança em meio ao caos da ilha.

Nada disso funciona. A trama, caro leitor, apresenta rapidamente o personagem Josh (Mitchell Hope), um expatriado que se junta às amigas em sua viagem paradisíaca. O rapaz serve apenas como uma engrenagem rápida para demonstrar o perigo, sendo logo eliminado pela baleia com poucos minutos de narrativa. Cheio de boas intenções no âmbito do entretenimento, Baleia Assassina tenta ser um filme de monstros reflexivo que equilibra comentários ambientais válidos, superação de traumas profundos e o terror clássico de sobrevivência, mas infelizmente sucumbe à sua execução pífia.

Em um prólogo bastante brutal, uma atração marinha chamada de forma sinistra de Mundo das Orcas introduz o contexto da criatura. Nessa sequência inicial, vemos uma orca fêmea em cativeiro, chamada Ceto, voltar-se violentamente contra o seu próprio tratador em um ataque de fúria. Essa sequência inicial impactante é seguida por um incidente que parece sem relação em um primeiro momento, mas que é carregado de forte emoção para contextualizar o estado mental da protagonista. Maddie, a já mencionada jovem prodígio do violoncelo, prestes a se formar e com um futuro brilhante pela frente, sobrevive a um assalto aleatório ocorrido em uma lanchonete local.

O ataque violento deixa a sua audição permanentemente danificada por causa dos traumas físicos, e o seu namorado, Chad, acaba sendo brutalmente assassinado na sua frente. Essa perda terrível silencia Maddie tanto de forma literal quanto artisticamente, ancorando o primeiro ato do filme em um trauma genuíno que inicialmente promete um arco dramático bastante convincente. Um ano depois do ocorrido, Maddie continua totalmente mergulhada na dor do luto, ainda trabalhando na lanchonete e com seu violoncelo abandonado e quebrado em um canto. É nesse cenário de depressão que surge a viagem para as Ilhas Akan, localizadas na Tailândia, planejada por sua amiga bem-intencionada, porém bastante imprudente, Trish, como uma chance de recomeço completo.

Lá, Ceto retorna ao caminho delas quando as mulheres descobrem que a baleia foi transferida para um parque marinho local, onde o seu filhote morreu. Maddie se opõe veementemente à manutenção de animais silvestres em cativeiro, adicionando uma camada temática sobre direitos dos animais que a roteirista Katharine McPhee simplesmente não consegue desenvolver com habilidade. E, para encerrarmos, apesar de a premissa ser inerentemente aterrorizante por envolver um monstro gigante, os efeitos visuais absurdamente baratos minam a tensão a cada instante sobre como a dupla vai ou não sair dessa situação. No fim das contas, não há peso dramático suficiente para que o espectador se importe de verdade com o destino dos personagens, resultando em uma obra frágil tanto no quesito dramático quanto no entretenimento, narrativa que torna os seus 89 minutos curiosamente gigantescos para nós, espectadores, entediados com um combo de coisas ruins: trama e estética.

Baleia Assassina (Killer Whale, Austrália/EUA – 2026) Direção: Jo-Anne Brechin Roteiro: Jo-Anne Brechin, Katharine McPhee Elenco: Virginia Gardner, Mel Jarnson, Mitchell Hope, Isaac Crawley, Scott James George, Mia Grunwald Duração: 89 min.

Conteúdo originalmente publicado por planocritico. Reproduzido com fins informativos.

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